segunda-feira, 10 de abril de 2017

Coaching para crianças! Pode?!



Os questionamentos sobre o coaching são muitos e diversos, de fato o processo consegue abarcar uma grande diversidade de situações em momentos distintos da vida dos indivíduos. Assim uma questão importante começa a ser formulada, existe uma idade correta para iniciar um processo de coaching? Coaching para crianças, pode?    

Segundo Krausz (2007) apud Lange e Karawejczyk (2014, p. 41) “coaching é um processo de desenvolvimento pessoal e profissional, [...] que auxilia uma pessoa ou um grupo de pessoas a atingirem seus objetivos por meio da identificação, do entendimento e do aprimoramento de suas competências”. O coaching é um processo que visa, entre outros, o desenvolvimento do indivíduo em termos de autochecimento, aprendizagem e construção de sentidos. A caracterização e a proposta do processo em si não assinala restrições quanto à idade para aplicação do coaching, assim crianças também podem ser beneficiadas. 

 De acordo com a psicologia positiva (ciência que estuda os fundamentos da felicidade e bem- estar sob a ótica psicológica) o coaching pode produzir significativa melhora em diversas variáveis durante o processo de maturação da criança, entre eles é possível destacar o aperfeiçoamento da inteligência interpessoal, comportamento frente à aprendizagem, aumento da satisfação vital e laboral da criança, o que resulta em um melhor desenvolvimento nos resultados acadêmicos e competência social da mesma (LIMA ; MACEDO, 2016).

 Ao se tratar de crianças, evidentemente alguns cuidados devem ser considerados, que se diferenciam do processo realizado com um adulto. Primeiramente há que se considerar uma idade e momento apropriados de maturidade no desenvolvimento geral da criança para sua inserção no processo. Para esta caracterização de maturação da criança a teoria Piagetiana sobre o desenvolvimento cognitivo pode ser utilizada como norteador, segundo Piaget a criança ao longo da vida enfrenta 4 fases principais em seu desenvolvimento que denomina de estágios sensório motor, pré operatório, operatório concreto e operatório formal.

Estagio sensório-Motor: É o período que antecede a linguagem, do nascimento a aproximadamente 1,5 - 2 anos, nesta fase não existem operações propriamente ditas, nem lógica, é um período de “inteligência prática”. (PADUA, 2009).

Estágio pré operatório: Fase do desenvolvimento que ocorre de 2 a 6 anos, início do pensamento com linguagem, com jogos simbólicos, imitação diferenciada, imagem mental e as outras formas de função simbólica. Nesta fase a criança entra no mundo dos valores, das regras, das virtudes e das noções de certo e errado, o que costuma ocorrer por volta do 4 anos (PADUA, 2009).

Estagio das operações concretas: Período de maturação que se inicia por volta de 7 ou 8 anos e se estende até os 11 anos. Nesta fase há os primórdios de uma lógica propriamente dita, a entrada nesta fase implica em um momento decisivo na construção de instrumentos do conhecimento, a criança age com inteligência operacional de bases concretas, há uma nova concepção de espaço e tempo (PADUA, 2009).

Estágio operatório formal: Inicia-se por volta de 11 a 12 anos quando a criança obtém o mundo das operações formais, podendo realizar operações sobre hipóteses e não somente concretas e objetais, o raciocínio hipotético-dedutivo torna-se possível (PADUA, 2009).

      Assim uma iniciação ao coaching pode ser feita a partir de 6 anos, quando a criança possui o aspecto de linguagem regularizado e é dotado de formas de percepção inseridas na concretização, nesta fase também há um crescimento nas atividades sociais da criança (inserção escolar) o que facilita o rapport. É possível utilizar algumas técnicas, principalmente de programação neuro linguística anterior a esta idade, mas o processo efetivo de coaching exige um canal de comunicação com o individuo ao qual se destina. Para as crianças é possível obter através do coaching, a partir desta idade, alguns alicerces emocionais e um reconhecimento e compreensão de experiências internas.   

    Quando o processo é realizado com crianças é necessário considerar ainda questões legais, sendo a primeira etapa a autorização do pais/responsáveis legais e uma entrevista com estes, para verificação prévia da personalidade e comportamentos da criança que podem ser aperfeiçoados com o processo. O processo deve ocorrer de maneira lúdica, contendo brincadeiras, jogos e diálogos na linguagem da criança, é possível incorporar vivências de grupo e expressões de diversas formas como massa de modelar, pintura, desenhos entre outros, assim é possível acessar e desenvolver aspectos de criatividade da criança. O profissional que conduz este processo deve ser preparado para compreender e intervir na dinâmica de funcionamento da criança, bem como nas questões relacionadas ao seu desenvolvimento.

Referências
LANGE, Amanda; KARAWEJCZYK, Tamara. Coaching no processo de desenvolvimento individual e organizacional.Diálogo, Canoas, n. 25, p. 39-56, abr. 2014.

LIMA, Roberta Valéria Guedes de; MACEDO, Murillo de Melo. Coaching para crianças: breve relato de uma experiência de aprendizagem personalizada. Revista Filosofia Capital. Edição especial; Vol. 11, (2016) p. 37-47 – Brasilia – Distrito Federal.


PÁDUA, Gelson Luiz Daldegan de . A epistemologia genética de Jean Piaget.  Revista FACEVV, Número 2; p. 22-35; - 1º Semestre de 2009.



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